terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mamãe não voltou do supermercado e o livro que sumiu


Pois é...parece que pelos comentários da galera no último post conseguimos descobrir o lado bom do carnaval: tempo pra ler. Poe, Gogol, Tolstói, Ana Miranda, Goethe, Torquato Neto, enquanto as celebridades rebolam as bundas marombadas para a alegria da Madonna e da Dilma.
Seguindo no tema literatura, li de ontem para hoje o "Mamãe não voltou do supermercado", primeiro romance do Mario Bortolotto. O livro é curtinho e tem um ritmo alucinante, ideal pra ler de uma tacada só. Gostei especialmente dos diálogos espertos, que mostram que apesar do romance ser bem legal, o cara é bem forte no teatro mesmo. Teria dezenas de tiradas ótimas do Caio, o personagem principal, para citar aqui, mas a preguiça me impede...
O livro policial, violento, curtinho, pra ser lido direto, sem intervalos, me fez lembrar de outro livrinho policial pequeno e notável que não sei se a galera conhece. Chama-se "Alguem vai se machucar hoje à noite", escrito pelo jornalista Thales de Menezes e lançado em 1991 pela falida Editora Paulicéia. Assim como o livro do Bortolotto, "Alguém vai se machucar..." é ambientado nos infernos das quebradas do mundaréu, mais especificamente no universo dos snuff movies, que são aqueles filmes violentos, com conteúdo mórbido/sexual em que depois de violada, torturada e humilhada a vítima é assassinada em frete às cameras e os filmes que registram tudo são vendidos por aí para os apreciadores do gênero.
Dei uma busca na net e não achei nenhuma referência a esse livrinho bem foda do Thales. Nem a capa eu consegui para publicar aqui. Foi uma pena a Paulicéia ter falido. Eles lançaram coisas legais como o "Barulho" do André Barcinski, que abordou a cena de Seattle enquanto a coisa tava fervendo por lá e teve a felicidade de tratar das coisas legais como Mudhoney e Nirvana, deixando de lado o pedante Pearl Jam, além de trazer perfis legais do Joey Ramone e dos Cramps.
Lançaram também Tolstói, Dostoiéwski, James Ellroy, Montesquieu...enfim, eram coisas legais que sumiram das prateleiras das livrarias. No ano passado fiz uma viagem de carro com o Dedé que foi sócio da editora. Ele contou como o projeto dos caras de vender títulos legais por um preço acessível foi tragado pela putaria do Plano Collor. Disse que perdeu na brincadeira o que hoje deve equivaler a 300 mil reais, mas faria tudo de novo pelo prazer de editar livros legais.
Bom...se alguém achar o livrinho do Thales em algum sebo por aí, vale a pena. Assim como "Mamãe não voltou do supermercado" é um explosivo passeio pelos infernos, em poucas páginas. O livro do Bortolotto ainda pode ser encontrado por aí, inclusive no Submarino.

6 comentários:

|Fly| disse...

Curto muito o trabalho do Bortolotto em teatro, poesia e músicas, mas ainda não tive a vergonha na cara de ir atrás dos artigos e romances. Daí acabo lendo os livros aos pedaços, em blogs de outros e no blog dele mesmo. Vou atrás deste que tu leu. Estou precisando mesmo sair um pouco da densidade e ler algo deste tipo, numa tacada só, para divertir e nada mais. Mas aposto que será uma puta diversão!

Freak disse...

Fiquei curiosa para ler esse livro do Bortolotto. Adoro essas tramas violentas, tanto que séries como CSI, Criminal Minds e Dexter são minhas preferidas depois de Lost. Inclusive, tem uma escritora americana, Patrícia Cornwell que escreve romances sobre uma legista. Os livros têm uma ordem certa para serem lidos. É uma espécie de Sherlock Holmes moderno com direito a luminol e testes de DNA. Inclusive ela escreveu um livro "Jack Estripador: Caso Encerrado" onde ela desvendou quem foi o real Jack. Segundo Patrícia, ele era um pintor chamado Walter Sickert que inclusive colocava detalhes das cenas dos crimes em suas pinturas. Bom, acho que já comentei demais! E que siga o carnaval assim: com muita literatura! (e chuva, por aqui!)

POBRE MEU BLOG disse...

Valeu pela visita galera. Olha só...o livro do Thales de Menezes está disponível no site Estante Virtual. Vale a pena.

Pedro. disse...

Onde eu consigo as pecas de teatro do Bortolloto ? Até hoje nunca encontrei, sempre estao esgotadas. Alguém saberia me dizer ?

POBRE MEU BLOG disse...

Pedro,
No Submariono tem "Nossa Vida não vale um chevrolet" e na estante virtual tem uma das coletâneas de peças. Eu tenho uma dessas coletâneas que comprei num sebo em Londrina. A que vendem na estante virtual custa acho que 60 paus. É meio raro mesmo.

Pedro. disse...

Caro, né ? Acho que a raridade acaba inflacionando o preco, né ? Que bosta.