sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O TEMPO

No final do ano fica aquela sensação de que o tempo passou rápido demais. Um poema sobre o tempo dos talentosos Gabriel Bá e Fábio Moon. O trabalho deles é sensacional. Clique na imagem para visualizar melhor.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Profeta da Fome



Num circo desses paupérrimos, de periferia, o faquir Alikhan, interpretado por José Mojica Marins assombra o público com seus números. Quando o circo pega fogo, ele e sua companheira vagam por aí fazendo seus shows. Num desses, vai preso acusado de “baixo espiritismo”. Na cadeia encontra a chave para o sucesso de suas paresentações: jejuar até o limite. O filme dirigido pelo Maurice Capovilla é de 1969, e além do Mojica Marins tem Jofre Soares, Maurício do Vale e o violeiro Adauto Santos.
O filme é brutal e fica na fronteira entre o Cinema Novo e o Cinema Marginal. A famosa cena do abate de um boi no “Amarelo Manga” foi filmada com a mesma crueza por Capovilla, algumas décadas antes. Dá uma sacada no texto que tem no site do Contracampo, assinado por Marina Meliande:

“O filme de Capovilla se posiciona diante da fome de uma maneira diferente: não fala da fome em si, e sim da transformação da fome em espetáculo. É o espetáculo do espetáculo da fome. É nesse sentido que podemos afirmar que O Profeta pode ser visto como um filme metalinguístico. Se relaciona com seu objeto de maneira referente ao Cinema que o comporta, uma característica realmente nova dentro dos filmes do Cinema Novo.
O filme tratará do espetáculo da fome na medida em que traça todo um processo de transformação do instinto primário do artista em um objeto que ele usará, em um momento extremo, para sobreviver. Um processo que começa na simples constatação que os animais do circo estão sumindo e que passa à procura do exótico para suprir esta fome: seja como engolidor de giletes, seja como o homem que é enterrado vivo…Um processo que continua na antropofagia e no sacrifício extremado, o homem que dá um olho por um pedaço de pão, o homem que se crucifica para poder comer… O espetáculo faz parte da vida desse artista e a fome é o seu único instrumento de sobrevivência. Seu trabalho só se faz necessário por que tem fome, somente fome. A fome é o espetáculo do qual precisava, a industrialização da fome, a notícia. A fome na mídia, o cinema é a mídia. O cinema filma o cinema da fome. A industrialização da fome é o Cinema Novo, é o faquir deitado em seu caixão ganhando dinheiro para não mais comer. A fome ameaçando o sentido da vida do faquir, um estado em que nada mais é possível: comer ou não comer deixa de ser importante, o cinema cansa do espetáculo que criou. Os bem alimentados não têm mais fome de famintos. Os famintos viraram apenas lembranças para aqueles que se alimentaram deles.
Capovilla traz em O Profeta a referência de algo maior que o próprio filme. Industrializa a fome e se utiliza dela assim como a maioria de seus companheiros de Cinema socialmente engajado. Porém, ultrapassa a fronteira da simples constatação da existência da fome: ela é usada para representar não só uma sociedade que a utiliza mas também um cinema que a utiliza”.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

3h15 – Sonho de uma madrugada de verão

Poemas são corpos estranhos
Expelidos da carne ou da consciência.
Em meus sonho
São como ressucitados.
Posso vê-los saindo das tumbas e ganhando as ruas
Como um enorme estorvo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Chuva

Minha melhor amiga,
Chegue forte nesta noite.
Molhe corações, asas e sombras.
E entre insônia, solidão e alguma febre
Faça florescer alguma coisa
Antes que seja tarde.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

As 39 luas de Júpiter


Nossa música mais punk. Na foto, Europa, a lua citada, com seus oceanos congelados. Também já li por aí que Júpiter teria 63 ou 62 luas. Foda-se. Trinta e nove eé melhor de cantar. Segue a letrinha tosca:

Eu não nasci
Pra viver nesse caos,
Nessa falta de prazer.
Vou escolher uma lua de Júpiter
Pra me esconder.

Debaixo do gelo de Europa,
No fundo da água salgada,
Eu sou no momento em que estou.
Ninguém me pergunta de nada.

As 39 luas de Júpiter.
Vocês não saberão.

Eu vou despir
O meu corpo celeste.
Despir as cicatrizes
Com que ele se veste.
Olhos, boca, ouvidos, narinas
Passaram no teste.

Vivendo no tédio terrestre
Mais frio que todo o espaço.
Quero uma lua de Júpiter
Para enterrar meu cansaço.

As 39 luas de Júpiter.
Vocês não saberão.